Relação de Materiais para uso do Residente.

Termo de Compromisso da CASA DA ESPERANÇA.

 

 

PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DA CASA DA ESPERANÇA
METODOLOGIA

Objetivos:
1. Resgatar o dependente químico, acima dos 18 anos, do sexo masculino e proporcionar uma nova forma de viver para que o mesmo esteja apto ao retorno à família e sociedade.
2. Trabalhar junto aos familiares dos dependentes químicos internados para tratar dos problemas emocionais que indiretamente as drogas e/ou álcool lhe trouxeram.
3. Conscientizar a sociedade em geral dos males causados pelas drogas e/ou álcool através de encontros, palestras, seminários, etc.
4. Dar atendimento e/ou aconselhamento às pessoas e famílias que tenham esse tipo de problema em seu meio.
5. Manter intercâmbio com entidades congêneres para trocas de experiências.
6. Programar e realizar junto à sociedade no sentido de buscar novos recursos para sua manutenção.

Metodologia:
O programa de recuperação desenvolvido pela CASA DA ESPERANÇA dentro da comunidade terapêutica dá-se por cinco dimensões diferentes:

1) LABORTERAPIA: Uma das regras fundamentais da CAES é a não utilização de medicamentos. A laborterapia vem então a ser usada como instrumento eficaz na desintoxicação física. O contato do indivíduo com o sol, terra, chuva, plantas e animais proporcionam uma interação sadia com a natureza. Serviços de horticultura, jardinagem, ordenha, suinocultura, capina e outros, fazem com que o interno tenha constante e comedida atividade física e, conseqüentemente, a paulatina eliminação das toxinas do organismo.
Além dos serviços externos de campo, os quais são realizados na sua maioria pela manhã, os internos executará tarefas de cozinhar, lavar e passar sua própria roupa, arrumar sua cama, limpeza de casa, enfim, todas as tarefas existentes dentro da comunidade terapêutica serão executadas pelos próprios internos.
Serviços que estejam envolvidos afazeres com animais e plantas desenvolverão, no interno, consciência ecológica e respeito com a natureza. A laborterapia despertará no interno valores antes não reconhecidos.

2) DISCIPLINA: Todo dependente químico quando está no uso de substâncias químicas perde o domínio de suas vidas e torna-se indisciplinado.
Um novo homem não se reconstitui apenas pela abstinência das substâncias químicas. É necessário que o dependente químico tenha uma nova postura. Todo um processo de reeducação será utilizado para que ele adquira e desenvolva comportamentos adequados e sadios.
No programa, existirão horários, normas e regras a serem obrigatoriamente cumpridas, bem como atividades programadas de acordo com o Regimento Interno da CASA DA ESPERANÇA.
Quando o indivíduo vive uma vida desregrada e insana ele desacostuma a ter Atitudes sadias. Movido pela insanidade, o dependente químico fez do seu lar um verdadeiro inferno, pois, ele precisava das substâncias químicas e não media esforços para consegui-la. Muitos artifícios ele usou para manipular situações em seu benefício, fazendo com que familiares ou responsáveis, fossem vítimas de mentiras, frutos de uma mente doentia, intoxicada pelas drogas e/ou álcool.
Todos os fatores acima fazem com que o dependente, mesmo sem as drogas e/ou álcool, persista por algum tempo em comportamentos insanos, pois, ele condicionou-se a um processo de manipulação constante. Então, dentro da CAES, até de forma inconsciente, ele começará a resistir e não admitir que precisa mudar seus atos. Essa guerra interior será extensiva e refletirá em seu interior.
Quando o interno começa a resistir muito e que não bastam apenas as sinalizações da equipe, ele pode entrar em Aprendizagem Rápida (A.R.). A A.R. dentro do programa atua como elemento frustrador para que o interno comece a projetar em si que comportamentos inadequados somente lhe trarão situações desfavoráveis na vida.

3) ORAÇÃO: A CAES acredita, conforme a filosofia de Narcóticos Anônimos (NA), que existe um Poder Superior a nós mesmos que nos conduz, orienta e protege. Sendo assim, se faz necessário que se busque, encontre e cultive esse Poder Superior, para que alem de recuperação do corpo físico, também se faça com o corpo espiritual.
A orientação espiritual adotada e seguida e a da Igreja Católica Apostólica Romana. Não é exigido que o interno professe a crença na Igreja Católica, mas que respeito e participe, com exceção dos sacramentos, dos momentos espirituais do cronograma interno da CAES.

4) LAZER: Aos recuperandos são proporcionados momentos de descontração, que dentro do espírito terapêutico, visam integração, união e crescimento.
Os momentos de lazer são desfrutados em horários determinados de acordo com o cronograma, geralmente após o término das reuniões de grupo, durante a semana e livres no final de semana. Os internos podem jogar futebol, pescar, promover gincanas, desenvolver e apresentar peças de teatro e outros.

5) TERAPIAS DE APOIO: É todo um trabalho de conscientização e auto-conhecimento. Esse trabalho tem como base os 12 PASSOS DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS onde está fundamentada toda uma série de questionários pelos quais o interno começará a se conhecer melhor, pois nestes questionários serão trabalhados a família, espiritualidade e problemas de cunho pessoal. Além dos questionários semanais, são desenvolvidas ainda várias terapias grupais que vêm reforçar a conscientização e auto-conhecimento. Das terapias grupais mais importantes são as reuniões de sentimento, confronto e dinâmica. Alem das atividades grupais, a equipe presta atendimento individual mensal, ou quando se fizer necessário, pois existem coisas que o interno pode ter dificuldades de colocar em grupo sentindo-se mais à vontade para colocar em equipe.
Os 12 PASSOS de Narcóticos Anônimos, questionários, terapias grupais tem como objetivo trabalhar uma série de problemas de ordem emocional gravada profundamente no inconsciente, os quais são responsáveis, muitas vezes, pelo sujeito resistir mudança de comportamento, dentro e fora da CAES.
Além de trabalhar os fatores de ordem emocional é preciso trabalhar os problemas relacionados com a falta de auto-estima, fazer com que o indivíduo se valorize como ser humano, fazer o interno enxergar que ele é humano e capaz, que é possível levar uma vida normal sem drogas e/ou álcool.


Dourados, dezembro de 2003.


Diretoria